[Vídeo] – Benzodiazepínicos (Tarja Preta), dependência, abstinência e tratamento.

Considerações iniciais

Os benzodiazepínicos foram descobertos nos inícios dos anos sessenta e vieram para substituir os antigos barbitúricos e outros tipos de sedativos e hipnóticos usados desde os anos quarenta. As principais utilizações dos BZD são:
  • Diminuição da ansiedade
  • Indução ao sono (efeito hipnótico)
  • Miorrelaxamento (relaxamento muscular)
  • Diminuição do estado de alerta
Alguns profissionais chamam os BZD de tranqüilizantes ou de ansiolíticos por terem a propriedade de acalmar as pessoas tensas, estressadas e ansiosas. Outras vezes são chamados de hipnóticos por induzirem sono nas pessoas que têm dificuldades de dormir. Na grande maioria são ingeridos por via oral, em doses variadas; injeções de BZD são mais utilizadas por pacientes internados em hospitais.
Existem no mercado brasileiro mais de 50 diferentes marcas de BZD, provenientes de cerca de 12 moléculas diferentes de BZD. Cada laboratório farmacêutico dá um seu nome próprio para cada medicamento que produz. Além disso, há no mercado apresentações de várias dosagens para o mesmo medicamento.
Epidemiologia
Segundo dados do CEBRID de 2001, 3,3% da população brasileira relatam ter utilizado BZD em suas vidas, sendo 2,2% de homens e 4,3% de mulheres. Uso excessivo, ou dependência ao produto são pouco relatados
Definições
Define-se como meia-vida de um BZD como sendo o tempo que metade da dosagem do medicamento é metabolizada pelo corpo humano, ou seja, o tempo que ele praticamente age sobre o corpo do paciente. Existem BZD que possuem meia-vida:
  • De curto
  • De médio
  • De longo-prazo
.
O Alprazolam possui meia vida curta, de 6 a 16 horas, o Lorazepam de 12 a 18 horas, ambos considerados de meia-vida curta. Já o Clonazepam e o Diazepam possuem meias-vidas de médias a longas, com efeitos de 20 a 50 horas sobre o paciente.
           
As principais moléculas de BDZ e os seus principais nomes comerciais são:
  • Alprazolam (Frontal)
  • Clonazepam (Rivotril)
  • Clordiazepóxido (Psicosedin)
  • Diazepam (Dienpax, Diazepam, Valium)
  • Lorazepam (Lorax, Lorazepam)
  • Midazolam (Dormonid)
  • Zolpiden (Stilnox), que alguns não consideram ser um BZD
A ação dos BZD no Sistema Nervoso Central se dá sobre o neurotransmissor GABA, provocando a inibição da transmissão da serotonina, que é o fator responsável pela ansiedade em pacientes mais sujeitos a ela. Os BZD são considerados como drogas depressoras do SNC, a exemplo do álcool, dos solventes e dos opióides.


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Síndrome de abstinência
Somente recentemente é que se percebeu que os BZD provocam naqueles que os utilizam a longo-prazo uma síndrome de abstinência de leve para média. Os pacientes de longo-prazo vão adquirindo tolerância ao BZD, que nada mais é que uma menor resposta à droga utilizada. Assim sendo, o paciente precisa de maiores quantidades do produto, para obter os mesmos resultados que obtinha anteriormente. Porém, é sabido que este fato ocorre principalmente com pacientes que se automedicam com BZD, sejam eles dependentes químicos de outras drogas, ou até pessoas normais que passam a utilizar os BZD para sanar estados psicológicos anormais que aparecem ao longo de suas vidas, e que acreditam não mais poder viver sem o uso do medicamento.
           
Produtos com meia-vida curta provocam maior síndrome de abstinência, pois seus efeitos cessam mais rapidamente, sendo comum a instalação da síndrome de abstinência aparecer de 1 a 3 dias após a cessação do uso do BZD. Outros produtos com maiores meias-vidas costumam provocar síndrome de abstinência de após 4 a 7 dias da cessação do uso. Em todos os casos esta síndrome de abstinência cessam após 1 a 4 semanas. Logicamente cada indivíduo apresenta o seu tipo de síndrome de abstinência, variando de acordo com fatores pessoais como tempo de uso do BZD, dosagem utilizada, tipo de produto usado, resistência própria ao produto.
           
É comum pessoas irem a consultas médicas apenas para obterem receitas para a aquisição dos BZD que são de controle rígido pelos Órgãos Governamentais responsáveis pelo controle da produção e venda dos produtos que possam causar dependência química nos brasileiros. Seria importante que a classe médica receitasse BZD apenas em quantidades necessárias até a próxima consulta, inibindo o uso desregrado do produto pelos pacientes.
           
O uso concomitante de produtos BZD com álcool pode induzir até o aparecimento de estado de coma naqueles que procuram se drogar. É também relativamente comum o fato de dependentes químicos utilizarem BZD, para tentar controlar efeitos indesejados que aparecem com o uso de drogas potentes como cocaína, crack, ecstasy e outras metanfetaminas. Os dependentes químicos relatam que os efeitos do uso concomitante de BZD e da droga de escolha são bastante prazerosos e apreciados pelos usuários.
           
Na maioria das vezes a síndrome de abstinência de BZD se caracteriza pelo aparecimento de irritação, diminuição da concentração, insônia, agitação motora e mental, tonturas e diminuição da fome. Poucas vezes aparecem sintomas mais graves como ataques de pânico, delírios e sintomas psicóticos.


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Tratamento
Parece estranho ter que tratar de “doença causada pelo uso de medicamento”, mas é fato que o uso prolongado e descontrolado de BZD pode causar síndrome de abstinência no usuário, parecida com aquela provocada pelo uso de outras drogas de abuso, embora seja de caráter muito mais leve.
           
A melhor forma de evitar o aparecimento de efeitos de abstinência é a retirada gradual do medicamento, eliminando-se quantidades do produto ao longo do tempo. Assim, quem toma 4mg de um dado produto, deve reduzir este valor para 3mg durante uma semana, 2mg durante outra semana, e assim por diante. Caso apareçam sintomas de abstinência, deve-se voltar à dosagem anterior, por mais uma semana.
           
Outra forma de controle é trocar-se o produto de meia-vida curta por outro de meia-vida mais longa, por algum tempo, e iniciar-se então a retirada do produto de meia-vida mais longa, como citado acima.
Considerações finais
Apesar dos problemas causados pelo uso errado dos BZD, eles ainda são produtos bastante confiáveis e enormemente receitados pelos médicos. As síndromes de abstinência que podem causar em pacientes que abusam de seus usos, muitas vezes levam pacientes dependentes químicos à não quererem se tratar com medicamentos, pois dizem que não pretendem trocar drogas ilícitas por drogas lícitas.
Esta visão é totalmente errônea e distorcida da realidade, pois tratar a dependência química com o uso de medicamentos próprios para tanto, e com acompanhamento médico facilita o controle do humor do paciente, de sua agitação na busca da droga, e, de sua aceitação ao tratamento. A síndrome de abstinência de drogas pesadas como cocaína, crack, opióides e mesmo do álcool é bastante minimizada pelo uso de BZD, combinado com neurolépticos.


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By | 2017-11-10T12:03:30+00:00 novembro 26th, 2015|Categories: Colunista_Viviane_Lander, Curiosidades, Destaque, explicação, Psicologia, Sem categoria, video|0 Comentários

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